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Série Juncker, sim ou não. Hoje, no The Guardian.

No The Guardian de hoje, Paola Buanodonna publica um artigo intitulado “Cameron, esquece a Guerra contra Juncker – e luta pelo verdadeiro prémio europeu” que vale a pena ler.

Eis a tradução livre deste artigo feita por mim:

 “O novo melhor amigo de David Cameron e supostamente o seu aliado na batalha para vetar Jean-Claude Juncker como próximo presidente da Comissão Europeia é o primeiro-ministro italiano Matteo Renzi. Renzi parece às vezes “caminhar sobre água”, mas não é um mago. Trata-se de um astuto político com alguns trunfos, uma janela de oportunidade limitada e uma posição privilegiada para os jogar. Hoje, em Roma, ele recebe Herman Von Rompuy, presidente do Conselho Europeu, antes de uma decisiva cimeira europeia, na próxima semana. A poeira mágica da amizade de Renzi, e a moeda forte que é o seu voto – se se chegar a isso (nota euratória: e parece que se vai chegar, como indica o meu anterior post sobre o assunto) – estão à venda.

 

O que Renzi quer em troca é uma diminuição da insistência europeia na austeridade, que tirou a Itália do desastre financeiro mas a deixou a lutar com níveis abissais de desemprego. Ele precisa que a nova Comissão concorde com um programa de trabalho em que as palavras “empregos e crescimento” estejam em evidência, e que seja liderada por alguém com vontade de dizer essas palavras de forma audível e com frequência. Renzi está também no mercado em busca de um portfolio prestigioso para o comissário italiano, que poderia ser quer Enrico Letta quer Massimo D’Alema, ambos antigos primeiros-ministros.

 

Nenhumas destas coisas fazem parte do presente de Cameron. E por isso, a prioridade de Renzi não será bloquear a aliança que Cameron pensa poder salvar o dia, ajudando-o a travar a Junckernaut, mas interpretar correctamente e seguir o curso de acção preferido por Angela Merkel’s, tentando ao mesmo tempo não incomodar mais ninguém.

Há muito em jogo na presidência italiana que começa em 1 de Julho, e Renzi não quer desperdiçar os seus seis meses ao leme da Europa confrontado com uma grande, amarga e prolongada querela. E se ela for inevitável, então ele não quererá certamente estar do lado “perdedor”.

Visto do lado de lá do canal, e para lá dos Alpes, a decisão de Cameron de jogar o homem e não a bola é inexplicável. O Parlamento Europeu, que tem o voto final na eleição da Comissão, roubou a iniciativa aos líderes europeus ao nomear os seus candidatos antes das eleições europeias, o que, pela primeira vez, deu ao Parlamento um papel consultivo na selecção dos candidatos à Comissão. Contudo, o candidato do Parlamento vencedor seria apenas a pessoa escolhida para conduzir as negociações com os grupos políticos e estabelecer se poderia ser encontrada uma maioria a seu favor.

 

Quando Cameron começou a lançar ameaças, usando a possibilidade da saída do Reino Unido para chantagear os outros, tornou paradoxalmente mais segura a posição de Juncker. O luxemburguês mais famoso do mundo está agora envolvido numa luta existencial para a sua própria sobrevivência política: uma luta na qual pode reclamar-se dos mais elevados princípios democráticos contra a barulhenta perseguição britânica.

Cameron está em perigo de perder a campanha para uma reforma europeia genuína devido ao desesperado esforço de ganhar uma batalha doméstica de relações públicas. Tem de esquecer a guerra contra Juncker. Deixe-o obter o mandato para negociar e ver o que sucede no Parlamento Europeu. Se for de facto escolhido, não deve lutar contra essa maré: perderá e gastará capital político vital em troca de muito pouco.

O verdadeiro prémio é um mandato realista, virado para o futuro, para a Comissão que Juncker pode acabar por liderar, em torno da qual há já um consideravelmente encorajador consenso.

De facto, deve parar de dar a impressão de que tudo é uma batalha em que procuramos atrair aliados para “o nosso lado” às custas dos outros. A verdade é que as outras grandes nações europeias amam ou detestam a Europa de modos diferentes e por diversas razões, mas estamos profundamente enredados nela.

Eles não prestarão atenção a pedidos de reforma que pareçam fabricados para reduzir a Europa. Talvez seja esse o objectivo, certamente alguns dos poderes, mas não o seu simbolismo totémico. Ouvirão pedidos de reforma que reflictam o senso comum mais do que o interesse nacional estreito de um país.

Isto não significa, a propósito, que o fosso entre a noção britânica de Europa e a de todos os outros não possa ser transposta. O Reino Unido está melhor numa união que pode não reflectir totalmente as suas aspirações, desde que ela represente uma plataforma para prosseguir a maioria delas na maior parte do tempo – amplificando o seu poder, a sua voz e o seu alcance no mundo dos negócios. É aliás o que todos os outros procuram alcançar.

Seria tolo, verdadeiramente, atirar o bebé fora com a água do banho porque não gostamos da forma como a banheira está desenhada”. 

Ver no The Guardian de hoje artigo original

 


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