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A OPINIÃO DOS OUTROS: Helena Cristina Coelho e a teoria que não é alemã, nem impossível, nem… teoria

 

Esta semana, no Diário Económico, Helena Cristina Coelho, que saúdo, assina um texto intitulado “A impossível teoria alemã”. Chamou-me a atenção por ser uma espécie de resumo bem estruturado da narrativa da moda: a austeridade é uma receita receitada pela Alemanha a toda a Europa e em particular aos países do Sul; o remédio é tão mau que não restará a esses países senão fazer “as malas e tirar umas férias do euro”; da Europa, então (presumo que do projecto europeu), nada sobrará; o caminho de regresso (não se sabe de onde e ainda menos para onde) será longo, penoso e, sobretudo, de duvidoso interesse (“desejável”?, questiona).

Helena Coelho começa o seu artigo a lembrar que a própria Alemanha já provou o amargo sabor da receita que agora preconiza, o que custou a Gerhard Schroeder a reeleição em 2002. E é essa a fórmula preconizada por Hans-Werner Sinn, “uma espécie de vedeta entre os economistas alemães”, explica a jornalista, para Portugal, Grécia e Espanha. Eis a receita: “(…) uma reforma laboral profunda que permita redução de salários, desvalorização interna de 30% (…), corte de preços(…)” tudo coisas, como recorda, que já estão a ser feitas em Portugal com os resultados dramáticos conhecidos. Helena Coelho põe “o dedo nessa ferida” (e bem, pois os remédios, por eficazes que sejam, devem ser tomados com conta, peso e medida, o que não parece estar a ser o caso), mas esquece-se de comentar o resto da tal fórmula apresentada por Sinn e que ela própria menciona: a solução passa também pelo “encarecimento da economia alemã em 20%”. Ou seja, o tal economista vedeta (que pelos vistos fala em nome de uma nação de 80 milhões de pessoas), além de dizer que os países em causa têm de fazer o que já estão a fazer, também defende que a Alemanha faça a sua parte. E que parte é essa? Nada mais, nada menos do que adoptar políticas expansionistas para dar ânimo ao debilitado mercado interno e reanimar, por via de importações, as economias sujeitas a políticas de austeridade (é verdade) excessivas. Em que ficamos? É que não são só os alemães, nem o senhor Sinn, a defender esta receita.

Está na moda dizer que o euro é o principal responsável da crise (claro, podia lá ser a Lemon Brothers, o subprime, o endividamento excessivo, as más políticas públicas, a mundialização do comércio, ou…); e tirar a conclusão lógica – que a solução é sair do euro. Não consigo entender qualquer vantagem. A zona euro não é decerto uma zona monetária óptima, mas não conheço nenhum país (Estado unitário, regional ou federal), de média a grande dimensão, que o seja. Uma Europa de novo fragmentada, com dezenas de pequenas economias de regresso às soluções proteccionistas baseadas em desvalorizações cambiais competitivas num Mundo onde a escala conta cada vez mais, é boa para quem? A Europa, um continente envelhecido e escasso em recursos, só tem uma via para evitar a irrelevância e a perda de bem-estar (sim, ainda maior, muito maior, e para todos os europeus) que todas as projecções apontam: a União. Volto ao assunto, claro.


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